Um Pinhão e Gooze mostram-nos um universo IM.PAL.PÁ.VEL no Porto

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Por: Beatriz Passos • Imagem: Direitos Reservados



A Temporada, espaço de co-work no Porto, recebe este sábado (3/10) às 15h os trabalhos de Um Pinhão e Gooze numa exposição que pretende contar-nos a história de um novo mundo e a sua construção.

Este processo resulta em “IM.PAL.PÁ.VEL”, uma exposição que nos mostrará “o culminar de duas realidades, influenciadas pelos tempos vividos, que procuram o autoconhecimento e que exploram emoções relacionadas com a ansiedade, a depressão, a procrastinação e o vazio.”

Estes dois artistas, que trabalham a ilustração e a street art, trazem-nos as já conhecidas miragens desenhadas com canetas POSCA. Os cenários e personagens surrealistas estão sempre presentes no imaginário de Um Pinhão e Gooze, unindo assim dois mundos que co-existem mas também se interligam.

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Decidimos puxar um fio deste universo tão particular e impalpável, trazendo assim um pouco dele para a Etérea, e lançámos a questão: o que significam para ti estes trabalhos e esta exposição?

Um Pinhão: A ideia para a exposição surge através do convite da rádio Apalavrado. Tínhamos já algumas ideias pensadas para expor trabalho e desta forma juntou-se o útil ao agradável. Pessoalmente, considero ser uma oportunidade incrível, sendo esta a primeira exposição fora da minha cidade mãe, Lisboa. A parceria com o Miguel (Gooze) não é de agora, e temos vários pontos em que o nosso trabalho se conecta. São estilos diferentes mas que de alguma maneira se conseguem misturar para criar algo único. Desde o conceito à execução acho que esta exposição traz uma exploração mais aprofundada do meu próprio estilo.

Gooze: Este projecto teve como ponto de partida o convite realizado pelo espaço de co-work Temporada e a rádio online Apalavrado, dando assim oportunidade a ideias que já há muito eram discutidas, mas que ainda não tinham tido luz para ganhar protagonismo. Ideias essas que reflectem muito a personalidade de cada um de nós, sendo elas relacionadas com sentimentos, emoções, medos e especialmente as realidades nas quais nos inserimos. Abordamos temáticas como a ansiedade, a depressão, a inércia e a procrastinação, através de formas e cenários abstratos e surrealistas, sendo estas um reflexo das repercussões do confinamento e da pandemia. Considero este um dos projectos mais íntimos que já desenvolvi, pois fala sobre grande parte dos meus medos e defeitos. Esta exposição é uma completa viagem de autoconhecimento e introspeção.

Sejam bem-vindos ao nosso subconsciente.

“Rabiscos” por Cristiana Figueiredo: Um álbum que ilustra emoções

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Por: Grua • Imagem: Cristiana Figueiredo



Querendo enfatizar o conceito de álbum, Cristiana Figueiredo, ou Cris, publica hoje (1/08) o livro ilustrado Rabiscos. Dividido em três capítulos, percorre histórias sobre variadas emoções, indo do amor à tristeza. Como álbum, a ilustradora pretende que as palavras apenas acompanhem as linhas e manchas, e não o contrário. Em Rabiscos, a ilustração fala por si, criando um caminho de comunicação autónomo entre o papel e o leitor.

“Borboletas”, “Hoje Não” e “Dores de Barriga” são os títulos elegidos por Cris para dar nome aos capítulos deste livro, desdobram-se ao longo de 44 páginas.

A ilustradora é residente no espaço de co-work Temporada, onde já dinamizou workshops de ilustração como “Formas Animadas”, dirigido a crianças. Contou também com trabalhos da sua autoria em várias galerias como a Padaria Águas Furtadas ou a Oficina Azul Cobalto, ambas no Porto. Fisicamente, podemos encontrar os seus trabalhos em Temporada, The Cave Gallery e Olá Breiner.

Mais recentemente, em parceria com Lucas Moreira, Cris fundou a editora homónima desta sua nova publicação, Rabiscos Edições. Pequena e recém-nascida, pretende concentrar-se particularmente nas ilustrações e edições independentes.

Rabiscos está disponível a partir de hoje na livraria Tinta nos Nervos em Lisboa, na Amazon e Blurb. Pode também ser adquirido directamente com a artista através do seu instragam.

Under the Ground: Ciclo de Filmes centrados na Terra e na sua relação com o agora

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Por: Grua • Imagem: Direitos Reservados



Under the Ground – Ciclo de Filmes de Artistas e Cinema Experimental desdobra-se em 4 sessões. Os três primeiros encontros terão lugar no jardim da Galeria Quadrum – inserida na rede de Galerias Municipais -, em Lisboa, nos dias 17, 18 e 19 de Julho pelas 21h. A quarta e última sessão será em Setembro e tem ainda data por anunciar.


Sara Castelo Branco e Hugo de Almeida Pinho são os nomes que fazem a curadoria do evento, procurando materializar as escolhas que se baseiam no passado e no futuro, reflectindo o presente. Com estas, pretendem abordar “questões centrais para uma compreensão alargada sobre a temporalidade profunda da Terra, e a sua relação crítica com os tempos contemporâneos da economia e da tecnologia.”


A entrada é gratuita, mas limitada a 23 pessoas por sessão. A marcação é necessária e pode ser feita através de ritaduro@egeac.pt

Cartaz: MATO 6 • Fotografia de fundo: Hugo de Almeida Pinho, 2020

O primeiro dia deste ciclo de cinema traz-nos filmes que transmitem ideias relativas ao planeta Terra e à humanidade, duas perspectivas distintas mas que aparentam não ter diferenças. Nestes dois ângulos, falar-se-á da materialidade da tecnologia, da ecologia, da mineralogia ou do espiritismo indígena.

O eco-feminismo, a mão-de-obra feminina, a transformação corporal e paisagística, e o ponto de vista das cosmologias indígenas são os temas basilares da segunda sessão de filmes no jardim da Galeria Quadrum, formando “uma dimensão distópica sobre as consequências da exploração da Terra”.

A Terra e as suas características, tanto holísticas como geológicas, serão abordadas no terceiro dia de filmes, bem como a sua relação com as limitações (ou não) técnicas do filme.

Programa

17.07
Ultimate Substance (2012, 34’)
Anja Kirschner & David Panos (DE/GR-US)

Europium (2014, 21’)
Lisa Rave (DE)

Faux Départ (2015, 22’43’’)
Yto Barrada (MA)

18.07
Subconscious Society, a Feature – (2014, 40’)
Rosa Barba (DE / US)

Uranium Hex (1987, 11’)
Sandra Lahire (UK)

Nauru – Notes from a Cretaceous World (2010, 14’50’’)
Nicholas Mangan (AUS)

Subatlantic (2015, 11’24’’)
Ursula Biemann (SWZ)

19.07
The Second Journey (To Uluru) (1981, 74’)
Arthur e Corinne Cantrill (AUS)

The Song of Stone (1963, 24’30’’)
Toshio Matsumoto (JP)

Hand Held Day (1974, 6’)
Gary Beydler (US)

Sleeping Cycles: uma história sobre o inconsciente contada através da mancha e da palavra

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Por: Grua • Ilustração: Lucas Moreira



Lucas Moreira lança hoje, dia 10 de Julho, Sleeping Cycles – ou Ciclos de Sono -, uma banda-desenhada da sua autoria que quer transmitir-nos várias mensagens sobre o inconsciente através da mancha e da palavra. Esta será uma versão em inglês que terá a sua tradução para português ainda este mês.


O ilustrador, que se dedica também à animação e motion graphics, conta-nos as adversidades que surgem entre duas dimensões: a realidade e o sonho. Estes dois lugares imaginários são materializados numa história sobre uma rapariga que está presa entre duas forças tão opostas e simultaneamente existentes na mesma dimensão: a sua. A aparente salvação é encontrada junto de um médico que utiliza procedimentos pouco usuais e que a guia por uma viagem entre “a cidade antiga e as artes obscuras”.

“O conceito geral do livro é sobre a dualidade da palavra sonhos: os que temos quando dormimos, e os que desejamos que se realizem.”

Sleeping Cycles tem o valor de 22€ e pode ser adquirido em várias plataformas e livrarias que podem ser consultadas aqui.

Ema Ribeiro – Ó! Galeria: O futuro é o online e temos de nos adaptar e aceitar

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Por: Beatriz Passos • Fotografia: Ó! Galeria

À data da entrevista com Ema Ribeiro, fundadora da Ó! Galeria — que se tem dedicado à ilustração com lojas no Porto e em Lisboa — ainda não tinha sido comunicado o fecho do espaço na capital. A pandemia afectou todos de diferentes formas e infelizmente o sector da cultura é dos mais afectados neste panorama.


Tendo tido a fotografia como paixão (ESAP) e a cerâmica como base (Escola Artística Soares dos Reis), Ema Ribeiro cria a Ó! no Porto em 2009 para dar uma casa a “amigos e colegas sem forma digna de expôr ilustração”. Actualmente, a galeria tem representados trabalhos de ilustradorxs nacionais e internacionais, como Clara Não, Yara Kono, Agathe Sorlet, Bina Tangerina ou Marcos Martos.


Como, segundo Ema, “o futuro é o online e temos de nos adaptar e aceitar esse facto”, a Ó! colocou-se em linha com o virtual, ao oferecer várias opções neste formato durante o período de confinamento. Entre as quais, pode nomear-se ter entregue as “chaves virtuais” das suas redes sociais a cada ilustrador durante 3 dias, havendo uma apresentação e visita guiada pelos seus trabalhos através de publicações, tendo como plataforma o instagram — esta iniciativa da galeria continua até dia 31 de Maio. Outra forma de apoio aos artistas, mesmo tendo sempre a distância como condição, foi a criação de um Gift Card que pode ser oferecido por quem quiser a quem quiser. Neste caso, as compras são inevitavelmente feitas através da loja online. Também foi criada a “CURATED BY:”, uma iniciativa que leva convidados a escolher ilustrações do site e criar uma exposição nas stories do instagram da galeria. A primeira convidada foi a Capicua e deu o nome “Mulheres” à exposição que se deu no dia 9 de Abril.


Para além dos projectos dedicados a este período particular, a Ó! organiza exposições temporárias, a par com todas as ilustrações presentes em loja que se encontram para venda com preços acessíveis.


O fecho da loja lisboeta é a demonstração clara da dificuldade de subsistência de projectos culturais em período de pandemia. Sem rede de segurança, as artes passam para segundo plano ao nível económico e inevitavelmente, há necessidade de fechar portas. Porque a galeria foi fundada no norte do país, e estando localizada no mítico bairro artístico, na Rua Miguel Bombarda no Porto (palavras da fundadora), foi possível manter uma dinâmica mais forte.


O futuro vê-se mais brilhante, com o sol reflectido no vidrado das peças cerâmicas da recente loja dedicada a esta expressão artística milenar, com workshops e um espaço de co-work. Enquanto ainda é aconselhado estar em casa, já existe uma página dedicada à Ó! Cerâmica no instagram.

Como fundadora da Ó!, fala-nos um pouco sobre o teu background. Qual o caminho que percorreste até chegar à inauguração da primeira loja? O que levou à sua criação?

• Quando andei, no secundário, na Escola Soares dos Reis, comecei com o curso técnico-profissional de cerâmica. Na Faculdade de Belas Artes do Porto, estive em Artes Plásticas – Escultura, e depois na ESAP em fotografia. A fotografia foi a área em que me mantive durante alguns anos, completamente apaixonada, e abri a minha primeira galeria, a Lab.65, dedicada exclusivamente à fotografia em 2006. Passou um ano e fechei com o coração destroçado. Não sendo uma pessoa conhecida no meio, o projecto não vingou. A convite da FNAC reestruturei o projecto da Lab.65 e tornei-o menos elitista, ou seja, criei uma plataforma onde, ao ter séries mais extensas de fotografias de autores portugueses, conseguia ter valores bastante atractivos que possibilitavam a compra de fotografia por qualquer um. Passado dois anos, terminei o projecto que se sediou no CCbombarda na Rua Miguel Bombarda no Porto. Ao mesmo tempo iniciei a Ó! em 2009, um teste num espaço super interessante chamado Bidonville, também no CCB. A ideia de juntar ilustração, objectos de autor e desenho surge pela falta de espaços do género acessíveis ao público. Na altura a Dama Aflita era o único projecto de ilustração aberto. Amigos e colegas sem forma digna de expôr ilustração foi sem dúvida um dos principais motivos para que a Ó! nascesse.

Porquê Ó! Galeria? De onde surge este nome?

• Ó! é uma expressão de admiração, de espanto que eu uso com frequência. A ilustração faz-me dizer muitos Ó!’s 🙂

Qual é a adesão dos artistas em relação à galeria? Recebem propostas diariamente ou é a própria galeria que vai à procura de novos artistas para representar?

• Recebemos propostas diárias e constantes. Infelizmente não temos espaço para acolher mais ilustradores ou ilustrações. A maior parte dos ilustradores que fazem parte neste momento da Ó! foi convidada por mim.

Qual a tua opinião em relação aos formatos feira e galeria? Consideras que a feira é um complemento para a apresentação em espaço de galeria? A galeria complementa a feira?

• A galeria dá ao ilustrador oportunidade de mostrar o trabalho de uma forma dignificante e cria a oportunidade de ter quase como um portfólio em espaço aberto para um público bastante abrangente. O lado comercial também é certamente importante porque a promoção dos trabalhos dos ilustradores é feita em contínuo no espaço físico e em todas as plataformas virtuais (redes sociais, site, mailing list). Uma feira penso que complementa os rendimentos do ilustrador e dá-lhe oportunidade de se apresentar ao público directamente. Alguns ilustradores não se sentem à vontade para fazer feiras, ou já não pensam nesse formato; outros têm muito prazer em contactar directamente com o público ou simplesmente precisam de aumentar os rendimentos.

Sendo a ilustração uma das expressões que, por vezes, fica um pouco à margem relativamente às outras, como achas que será o seu futuro daqui para a frente? 

• Não sinto que esteja à margem, até pelo contrário. Nesta altura a ilustração está muito próxima do público porque são os ilustradores que estão a chegar através das redes sociais às casas de muitos. Com actividades promovidas em conjunto, com workshops, com animações… nunca se viu tanta actividade nas redes e tanta ilustração a mostrar o que vai na alma dos próprios autores e do público. Acho que o futuro sem dúvida é o online e temos de nos adaptar e aceitar esse facto.

Sabemos que vem aí uma Ó! dedicada à cerâmica. O que nos podes adiantar em relação a este conceito de loja? 

• A ideia de ter uma galeria de cerâmica vem desde há algum tempo. À medida que os anos foram passando, projectos de cerâmica começaram a aparecer entre os ilustradores de formas incrivelmente originais. Uma nova vaga refrescante dentro da cerâmica artística, sem dúvida que me motivou a querer, mais uma vez, criar uma espaço que dignificasse esta área. A galeria vai ter uma parte expositiva e outra de loja, tal como na Ó! ilustração, completando-se com os workshops e co-work.

A Ó! Lisboa vive muito do turismo, de todas as pessoas que pela porta passam e ficam curiosas acerca do que está dentro das duas portas de madeira — no caso de Lisboa. Como foi lidar com a progressiva falta de público conforme o avanço da situação de pandemia em Portugal e, posteriormente, o fecho das portas? E o caso do Porto?

• A Ó! Lisboa fechou agora no final de Abril em consequência desta crise. Há que ser pragmático e tomar as decisões mais duras atempadamente para que não vá tudo por água abaixo.

Foram 5 anos de luta constante para manter as portas abertas, em que na realidade  só no ano passado pudemos suspirar de alívio. Entretanto, já neste início de ano, sentiu-se uma quebra e com a pandemia foi para nós o tempo de dizer adeus à capital e continuar a luta cá em cima, na casa mãe. Lisboa é uma cidade dura para um negócio. O Porto é uma cidade onde temos a vantagem de estar situados no bairro das artes. As pessoas que gostam de arte no geral sabem onde podem ir para ver exposições, explorar o quarteirão cheio de projectos muito interessantes. Torna tudo mais fácil. Acredito que no Porto, por mais difícil que seja, sendo a nossa casa, é mais fácil manter. Mas claro que se as pessoas não comprarem, a Ó! fecha também as portas por cá.

Rubi Amarelo: A natureza do encontro entre o ingénuo e o real

entrevista

Por: Grua • Fotografia: Direitos reservados

A primeira entrevista da Grua para a Etérea é dirigida a Rubi Amarelo, ilustradora e licenciada em Design Gráfico pela ESAD, nas Caldas da Rainha. O seu traço singular, os temas e abordagens ao corpo feminino diferenciam-na de muitos pares dentro do meio. Para além da ilustração nos mais variados suportes, Rubi trabalha também o barro transformando o seu imaginário em três dimensões.

Rubi Amarelo é convidada a estrear a categoria de entrevistas desta nova plataforma pois tem vindo a acompanhar a Grua desde o seu início, tendo participado na primeira edição da Feira de Ilustração que teve lugar na Mouraria no dia 27 de Maio de 2017. Perto de voltar, em 2020, Rubi Amarelo foi também a artista convidada a desenhar o cartaz para a segunda edição deste evento que não resistiu – como todos os outros – à pandemia no início de Março. Agora, Rubi volta para falar um pouco de si e do seu trabalho, do seu percurso e do que a entusiasma criativamente.

• Podes conhecer mais do seu trabalho através do Behance, Instagram ou Facebook.

Conta-nos um pouco sobre o teu percurso. Quando e como iniciou a tua inclinação para a ilustração e para as artes visuais?
• Desde pequenina! A melhor maneira de me entreter foi sempre estando rodeada de cores, tintas e tudo o que pudesse dar uma nova vida, desde criar instrumentos a passar horas a colorir livros e a copiar os desenhos. O segredo foi nunca parar. 

Apesar de não ser uma pergunta de resposta fácil, consegues explicar como desenvolveste a tua individualidade estilisticamente? Traço, cores, temas abordados…
• Bem, nas minhas ilustrações passo sempre muito de mim. É um momento de entrega. Com isso, as cores vivas e os motivos florais e da natureza aliam-se à magia do corpo feminino, são linhas que se unem e que me movem. É quase um encontro entre o ingénuo e o real.

Como tens conseguido conciliar a Rubi Amarelo com outras questões da tua vida pessoal e/ou profissional? 
• Com a vontade de querer mais! Às  vezes formam-se barreiras que parecem um quebra-cabeças. Com um part-time para conciliar e um estúdio (que é o meu quarto), nem sempre é fácil. Quando isso acontece tento abstrair-me ao máximo, e um passeio resolve sempre. A hora certa há-de chegar. E o pensamento positivo precisa de estar sempre presente!

Existem artistas que podes nomear como tuas principais influências? 
• São imensos! São muitas as referências. Mas os primeiros, Matisse, Gauguin … Sou péssima com nomes, e atualmente há muita coisa boa a ser feita, cá e lá fora. Tudo acaba por ser uma referência a partir do momento que acordamos.

Já te surgiu algum projecto de colaboração multidisciplinar, de aliar as artes visuais à música, à dança, ao cinema, por exemplo? Terias interesse ou já foi uma ideia que te passou pela cabeça?
• Já ilustrei alguns livros, uns editados outros à espera do momento certo. E é algo que adoro fazer, principalmente infantis! Adoro crianças e poder intervir na educação e no fomentar das ideias que criam, não podia ser mais gratificante e inspirador. Por outro lado, o mundo da moda e da fotografia são vertentes que me apaixonam mais de dia para dia.

Qual seria a tua colaboração de sonho?
• Acho que tenho varias!! Gosto de experimentar coisas novas e tenho muitas áreas em que gostava de trabalhar. Um mural? Uma colecção de roupa com as minhas ilustrações e ideias?  Provavelmente são estas as que andam mais nos meus pensamentos, mas existem muitas outras, com trabalho e sentimento qualquer colaboração pode ser e será boa.

És muito individualista com a tua criação, ou é-te costume pedir feedback e opiniões durante todo o processo?
• No momento da criação da ideia final preciso do meu espaço, fico isolada, preciso de ficar só, comigo mesma. Não consigo explicar. Depois disso, gosto sempre de pedir opiniões, perceber o que transmite e debater. 

Esta fase que estamos actualmente a viver, é muito complicada para todos os que integram o panorama artístico e cultural. A quarentena tem-nos afectado a um nível que ainda nos parece inimaginável. O que nos podes contar sobre o que tem sido a tua experiência e, fazendo uma viagem ao futuro, como achas que se processará tudo isto culturalmente?
• Não estou completamente de quarentena. Como trabalho a part-time num serviço indispensável ao tele-trabalho, a minha rotina tem sido trabalhar dia sim dia não. A logística inicialmente estava a ser complicada, a rotina era nova e os hábitos tinham de ser outros. Sou uma pessoa que por norma não consegue estar muito tempo em sítios fechados, acaba por ser um sufoco! Mas têm sido bastante positivos, estes dias, no sentido em que tenho criado imenso e estou a voltar a materiais antigos em busca de novas ideias e vontades. Foi o meu mecanismo de defesa, já que, como já tinha dito, o melhor momento de trabalho é sozinha. E partilho a casa com mais pessoas, amigos, que sem eles isto seria bem menos positivo. Acredito que com força e ânimo tudo possa melhorar e todos juntos do mesmo lado conseguiremos erguer de novo o bom que temos.