Coletivo Tarimba e Estação Sul e Sueste ocupam Á-Quatro no Barreiro

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Texto: Vasco Completo / Perguntas: Beatriz Passos • Imagem: Direitos Reservados



“Quantos A4 cabem no Á-Quatro?”, a exposição final com os seleccionados da open call do Coletivo Tarimba e da Estação Sul e Sueste, inaugura no próximo sábado, dia 26 de Setembro pelas 15h. A raíz do conceito nasce de um foco especial no processo criativo dos artistas, interligando a imagem da (por vezes assustadora) folha em branco com o imaginário arquitectónico da produção do formato em que a usamos, o A4.

Historicamente, como nos conta o Coletivo Tarimba em conversa via e-mail, foi na Companhia União Fabril “que foi testado e produzido o formato A4 em Portugal”. Explicam-nos ainda que “passados anos, o A4 é padrão universal, está integrado no dia-a-dia, seja num contexto de lazer, trabalho, educacional”. É dessa reflexão sobre a importância deste formato padronizado que, em conjunto com a Estação Sul e Sueste – a plataforma multidisciplinar de pensamento e reflexão sobre o território e paisagem do Barreiro –, decidem ocupar o Á-Quatro, em parceria com a Baía do Tejo e a Câmara Municipal do Barreiro.

No mesmo dia inauguram mais exposições inseridas no mesmo complexo. São elas a exposição de PADA, na Fábrica de Tintas, intitulada “O que não temos podemos criar” ; estúdios abertos do Colectivo SPA; Joana de Conceição & Tropa Macaca no Á-Quatro.

Conversámos com o Coletivo Tarimba para saber mais sobre “Quantos A4 cabem no Á-Quatro?”. Para mais informações, podem consultar o evento aqui.

Quais as ideias base que levaram à criação deste evento? 
A ideia base do projeto surge da possibilidade de ocupar este espaço na antiga CUF, mais especificamente, o Á-Quatro. É um edifício, e é simultaneamente a sala de projetos da extinta Companhia União Fabril. Foi neste espaço que foi testado e produzido o formato A4 em Portugal. Passados anos o A4 é padrão universal, está integrado no dia-a-dia, seja num contexto de lazer, trabalho, educacional, é um elemento constante. Ao ocuparmos este espaço apercebemo-nos o quão central é uma folha A4 no nosso funcionamento, essa centralidade é ainda mais aparente no campo das artes, neste caso artes plásticas e arquitectura. É uma ferramenta mas ao mesmo tempo é uma folha em branco – o ponto de partida do processo criativo. 
Esta exposição surgiu desta ligação com a história do edifício e com a realização da importância do formato para a criação artística. 

Como se deu a parceria com a Estação Sul e Sueste e em que consiste? E como se interliga todo o conceito da exposição com o edifício da Companhia União Fabril?
A parceria entre a Estação Sul e Sueste e a Tarimba surgiu de uma forma bastante orgânica. Através do nosso trabalho ficámos a conhecer a Paula Simão, e tínhamos a mesma vontade de fazer. Sorte nossa, a Sul a Sueste tem uma forte presença no Barreiro, e através do trabalho que têm vindo a desenvolver conseguiram este espaço, a Paula como nos conhecia fez a ponte entre os dois coletivos e a partir daí fomos construindo.                             
A ligação com a CUF deve-se à Estação Sul e Sueste (ESS), um dos objetivos deles é dar a conhecer e enriquecer a cena artística na região do Barreiro, aliado a isso, o Frederico Vicente da ESS é arquiteto e conhece bem a história e a importância do edifício. 
Desta parceria surgirá a curadoria de mais de 80 obras. 

Em que consistiu a selecção das candidaturas resultante do open call? 
Relativamente à seleção das peças da Open Call, um dos principais critérios foi o respeito dos limites do tamanho A4, e depois a criatividade da proposta. Não impusemos nenhum critério a não ser o da peça ter na sua totalidade o tamanho A4. 
Em conjunto selecionámos as peças que respeitaram esse critério e que nos impressionaram pela sua criatividade. Temos também que referir que as peças que vão estar na exposição são uma combinação de peças da Open Call e de artistas e arquitectos que tanto nós, como a Sul e Sueste, convidámos a participarem. 
Para além destas peças, que a maior parte estarão para venda, a Tarimba trouxe 4 artistas para ocuparem 4 salas.  É uma exposição muito diversa que apresenta uma miríade de formas de pensar o processo criativo e tem o seu início na folha em branco, é uma exposição que celebra a criatividade. Para além disso, é uma oportunidade de visitar parte do Áquatro, ao mesmo tempo que é palco expositivo para um dinâmico espólio de materializações criativas, de ambições, ideias, aspirações.